giovedì, novembre 24, 2005

O Homem do Saco (Isso é um "capítulo" um de um lance maior)

- "Um homem bateu a minha porta e eu abri!"...Não lembro como continua essa musiquinha que as meninas cantam pra pular corda, mas te digo, rapaz, sei muito bem o que esses versos querem dizer. Querem dizer que elas são umas putinhas, todas umas putinhas! Um homem, e elas abriram. E você sabe o que ele fez, todos nós sabemos, afinal, não somos homens? As vadias? As vadias gostaram! Gozaram até o sol nascer. E saíram para cantar ao amanhecer, e pular corda e dizer que deram à noite toda, como se fosse a coisa mais bonita do mundo. Vaquinhas de merda. Você está com medo. Suando e tremendo, coitado. É porque eu estou falando isso? Só porque você abriu a porta quando eu bati? Ou é por causa desse saco de pano imenso nas minhas costas?
O Homem-do-Saco estava num terno bege de corte elegante, e trazia o saco combinando. Eu fiquei paralisado de medo. Tentei me defender, mas não funcionou. Ele enfiou a mão pela minha boca, desceu com seu braço pelas minhas entranhas, eu ali, todo aberto, paralisado, deformado com aquela violência. Ele procurava alguma coisa perdida entre meus rins e os intestinos (impressionante descobrir como a gente sente tudo isso por dentro). O filha da puta ficava sorrindo com uns dentes esgarçados embaixo daquele bigodinho loiro e ralo. Pela cara, não devia ter nem cinco anos mais que meus vinte. E ainda assim, já andava com um bigodinho ridículo e um terno bege de corte alinhado, o maldito engomadinho. Aposto que eu era a última coisa entre ele e sua meta comercial do ano; que o chefe do maldito ia falar "parabéns, Jeremias, ninguém preenche a cota tão rápido desde o rapto de todas as criancinhas de Hammelin! Você tem um ótimo futuro como Homem-do-Saco."
Jeremias, Homem-do-Saco, isso mesmo. Nem fez questão de se apresentar, mas enquanto ele sedento vasculhava minhas entranhas tive bastante tempro pra ver o crachá ridículo, que dependurado recaia sobre meu rosto. Achou algo. Puxou com muita força, senti o tranco dentro de mim; mas nada aconteceu. Aparentemente estava bem fixado lá, onde deveria permanecer. O jovem executivo não se deixou abalar, apoiou seus pés contra a parede, ficou por cima de mim, fez força e mais força. Quando finalmente o negócio se desprendeu, ele caiu para trás num baque, mas ergueu seu braço triunfante, com o troféu a mostra. A dor foi a pior que já senti, deitei no chão me contorcendo, e não conseguia fazer absolutamente nada enquanto ele colocava uma bolota de uma gosma, metade azul e metade rosa, que pulsava forte e se remexia na sua mão. Não fosse pela maleabilidade, pareceria uma imensa bola colorida de vidro. Mas era uma parte do meu corpo, que eu nunca tinha ouvido falar, que o sujeito roubara. Pôs naquele saco imensa onde tanta coisa se mexia querendo fugir e foi embora pela porta da frente, sem problemas. Ninguém na rua nunca suspeita do homem do saco; ele sempre está tão bem arrumado.

4 commenti:

  1. eu não vou ler seu blog enquanto ele estiver assim

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  2. muda a cor e o tamanho das letras, filho

    paula. (ah, e deixa os que não tem blogspot comentarem direito)

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  3. Invertido é melhor?

    Paula, é só comentar como "outro".

    O tamanho? Tá pequeno ou grande?

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  4. WOW!!!

    Pelo template e pela aventura cirurgica sem anestesia. Puxa vida! E isso continua?

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