venerdì, agosto 31, 2007

Lucas Lui: paulistano raivoso e cidadão de bem.

Eu queria pegar todos os carros dessa cidade, empilhar em Osasco, e explodir a merda toda. De preferência, colocando em baixo da pilha o homem com retardo que me fez perder um dia inteiro pra ter uma reunião de quinze minutos com um conteúdo que cabia num e-mail de duas linhas.

Obrigado pela atenção

martedì, agosto 28, 2007

The Real Man

Alguns de nós bebem para se sentirem potentes.
É por causa do meu pai, mas eu me sinto potente cada vez que não bebo, numa hora dessas. E até que são bastante horas.
Mas daí que essa potência se torna insuficiente, mínima. Ínfima.

O céu daqui de casa continua brilhando cor-de-rosa, toda noite. Eu nunca vi uma estrela, acho que elas pertencem aos contos de fadas. Mas a Lua, ah, a Lua, me esmaga com seu peso sempre que são cinco da manhã e eu estou atrasado pra terminar o meu sonho.

Não entendo perfeccionismo, sabe como é? Dedicação, também não. Ou a coisa sai, assim, na hora, como ela é, com todos os seus defeitos, ou simplesmente não existe e nunca existirá.

Me considero despreparado, ainda não feito para o mundo, imperfeito para cumprir minha função, preciso ser guardado para depois. Portanto, é só o lógico deduzir que não existo.

Tenho os sonhos de outra pessoa ali pra terminar, numa folha de papel feita de mil pedacinhos de areia quentes como o mel sobre uma torrada. Estou apaixonado por ela e me temo imperfeito para sonhar seus sonhos, e nunca começo, e, por minha culpa, ela não existe.

A televisão te perguntou se você já pensou em se matar. É uma questão complicada. Acredito que o devaneio sobre o suicídio é como aquele sobre a mega-sena: sempre passa pelas cabeças, como solução absurda para problemas sem fim. Bom, eu já me imaginei ganhando na mega-sena, isso quer dizer que eu sou triste?

Aquele prédio na Consolação te perguntou, o velho sem dentes, se você é feliz. Mais louco é quem me diz. Mais louco.

Não é quando eu bebo, é quando já chega de beber e são oito dá manhã e eu estou muito ocupado sendo miserável, que eu sou incapaz de dar um jeito nessa porra dessa minha vida. E eu sempre acabo dando um jeito na vida de alguém, assim, lixo humano. É só nessa hora que me sinto potente, um homem de verdade. Mas escurece, de novo (e escurecer aqui continua sendo uma mudança do cinza para o rosa) e a Lua me manda mais uma carta, sempre escrito que eu ainda não sou perfeito, que não existo.

O último clichê que eles me mandaram foi aquele em que a gente descobre que as pessoas que tem tudo o que a gente queria ter não são lá felizes com isso; logo depois, você se encontra reclamando de uma sina sua que seria fortuna para milhares a seu redor.

O clichê e o kitsch não são mentiras: são mito. Estamos cansados deles porque se repetem eternamente, justificando nossa realidade. São o princípio da realidade. Cada história de melodrama, cada moral do século XX, é minha realidade e sombra.

Sombra cor de rosa que se estende por toda a cidade pesando quatro fases e todos os grandes saltos para a humanidade nas minhas costas.

O homem da cidade procura conforto no campo; nenhum som que não o vento e os pássaros e algumas idéias tem na cabeça. Matarei todas as aves do mundo, por um barulho de máquinas, algumas buzinas e uma luz de neon enguiçada fazendo aquele zumbido irritante em baixo de onde eu durmo a noite inteira.

Ou talvez, uma valsa tocada na guitarra elétrica, e um sintetizador pedindo um pouco mais de poesia ao se servir os copos de uísque, olha como você está inclinando esse pulso, o que Baudelaire diria disso?

domenica, agosto 26, 2007

Eu estou aqui com um "Canibais e Cristãos", do Norman Mailer, sem capa e rasgado em dois. Na folha de rosto, apenas uma dedicatória:
FROM
ÔRJAN OLSÉN
TO
ÓRJAN OLSÉN

(e sim, é uma tradução, edição brasileira, que achei na minha estante).

Além disso, ontem eu tava andando na rua e achei familiar a música que um pedreiro, no alto de um andaime, consertando uma fachada de prédio, assobiava. Era Blowing in the Wind, muito peculiar mesmo, se parar para ver.

venerdì, agosto 24, 2007

giovedì, agosto 23, 2007

sabato, agosto 18, 2007

Lições sobre O Vazio

Segunda feira achei no chão, no meu caminho, um papelzinho desses bons pra dar recados, escrito o meu nome. Peguei, olhei do outro lado, não tinha nada.
Um bilhete em branco.
Ontem à tarde, no meio da rua, vi um pedaço de placa de carro largado, apenas com o número zero. Parecia que alguém tinha cortado precisamente aquela tirinha, reta, do meio de uma chama perfeitamente inteira.
A noite, uma desconhecida num bar me disse que sou uma pessoa iluminada, que vou sofrer muito e que gosto muito dos meus amigos - eles também gostam de mim, mas nem tanto.
Black Cat Blue, what did you do?

giovedì, agosto 16, 2007

Eu sou o umbigo do mundo

Sempre que chamam alguém, sempre que dizem alguma coisa, sempre que alguém no mundo faz algum som, me ocorre, ao menos por um segundo (às vezes pela vida inteira) que deve ser comigo. Mesmo que não seja. Mesmo que talvez seja e não devesse ser. E vice versa. Mas sempre.

lunedì, agosto 13, 2007

Yellow Monday

A inclinação da terra entre maio e setembro faz milagres pela aparência de São Paulo. E aquelas árvores sem folhas, como se aqui fosse um país de outono.
Seis colheres de sopa de arroz, quatro de feijão, quatro de carne, ou porções equivalentes a isso.
Todos os dias, um esquerdo e um direito, como pés. As vezes dois dias no mesmo degrau, para cansar menos.
Os carneiros ficam em pé, as montanhas vêm a Maomé.
Esses são os últimos dias bonitos do ano, mas em 2008 tem mais.

domenica, agosto 12, 2007

25: a fera que gritou "Eu" no coração do mundo - ou 6: o dilema do Ouriço

Eu nunca pensei que me sentiria assim por causa de uma mulher.

Você me diz as coisas em segredo. Quer cautela e discrição. Não não não, tem uma hora que a coisa arde tanto no peito que a gente precisa mesmo gritar e foda-se a vergonha e foda-se o mundo, babe. Não se chama fazer drama, quando o drama já está feito. Nada do que quis gritar antes na minha vida se comparara a isso. E, Deus, como eu grito, meu anjo, como eu grito.

Sua casa em mim começou quando eu tinha uns dezessete anos. Você me ensinou a ter carinho, a cuidar dos meus amigos. A admitir que gostar, a admitir que amizade, a admitir que amor. Agora eu preciso que você aprenda a admitir que dor, admitir que raiva, admitir que berro.

Porque o grito que você não grita, que você se recusa a soltar, que você protege sei lá de quem
já está NA MINHA garganta, e eu me sinto sufocar. Ele é um viruzinho do tamanho de uma bola de tênis, redondo com espinhos sem ponta, azul-pêssego. Tem olhos tristes e chora leite. E ele só vai sair daqui se você gritá-lo.

Tem algum tempo - MAIS do que esse um mês desde aquela briga - que eu sofro inquietude e que eu sofro solidão - (meu Deus, eu não sentia solidão fazia uns seis anos, talvez mais). E eu sofro inquietude e eu sofro solidão porque eu sofro a sua dor não declarada.

Eu:
(No, I ain't got nothing to be scared of... because I love you. I was born out of love)

O silêncio vai me matar e você fica em silêncio porque tem medo. Não é só você que tem: todas as pessoas que me machucam, talvez tirando o meu pai (feliz dia dos pais, velhinho, você me dói mas hoje já não é a sua dor que me importa) me machucam porque tem medo e fazem silêncio.

Eu estou te dizendo isso aberto, em público, porque você de novo sussurrou quando o assunto é para gritos. E o simples fato, minha querida, de que você consegue manter a calma a meu respeito desse jeito, me é tal violência. Seu estoicismo foi pior que qualquer ataque histérico, o verdadeiro olhar que mata mais que atropelamento de automóvel.

Você:
your fear is crowded and there is still no place for someone like me to fill

E você não é mais você, ok? Você é o mundo. Igual a todos os outros - você vai aprisionar sua verdadeira expressão, seus verdadeiros momentos, dentro do teu terror absoluto, o medo horrível que você, MUNDO, sente de ser descoberto.

A gente aprende de algum idiota que quando mostramos nossa verdadeira face nos pomos vulneráveis.

Nunca nunca ninguém que me feriu de verdade me feriu por saber o que eu sentia, o que eu queria e quem eu era. Jamais conseguiram usar isso contra mim. E olha que tenho botado cada centímetro de minhas entranhas para fora.

Eu decidi
Eu não vou ter mais medo
O resto do mundo
Você
Sentem um monte
Eu já sinto menos,
bem menos

E vou sentir cada vez menos e arrancar toda a minha pele e puxar as fibrinhas do meu ser e desfazer num fio bem comprido e enrolá-los em letra de mão numa parede extensa contando pra todo mundo que quiser ouvir tudo o que sou. Eu não vou guardar mais nada nada nada.
Assim vai ter espaço pra alguém (como você) preencher. Espero que, no mundo inteiro, pelo menos um ser humano tenha a mesma idéia e me venha ao encontro. E a gente mostre para todos os outros
o tempo que vocês estão perdendo.

Eu te amo.

sabato, agosto 11, 2007

Metáforas bestas sobre A Globalização

O tabuleiro do War novo que minha irmã comprou tem aproximadamente 85% da área do tabuleiro antigo, todos os territórios um pouco menores, agora sim é completamente impossível manter os exércitos organizados na Europa.

Mas de alguma forma, o mundo real só faz parecer ficar maior e maior, e com o cá e o lá cada vez mais distantes.

lunedì, agosto 06, 2007

O Orador Surdo

Eu posso acessar o blogger e fazer postagens e modificações, mas não posso abrir nenhum blogspot para ler o que fiz. Genial, né?

E é aniversário do meu pai, então vamos à casa dele eu, meu irmão que não come carne vermelha e minha irmã que é vegetariana. Então, já que a gente vai lá, ele encomendou uns kibes. ¬¬