Movimento libertário dos almofadinhas
Partido revolucionário composto de pessoas com muita cara de ricas e certinhas, com cabelos e barbas bem cortados e visual ajeitadinho. Contribui para manifestações ficando entre o resto dos ativistas e a polícia, uma vez que batem menos nessas pessoas. Quando o aparelho repressor desencanar e começar a descer o cacete em Almofadinhas do mesmo jeito, o movimento planeja realizar pequenos sequestros que levem almofadinhas não engajados para serem confundidos com os membros do partido e apanharem junto.
Straight to Hell
Organização religiosa pentecostal, centrada no meio-oeste dos estados unidos, que prega que a heterossexualidade está proibida na bíblia e que todos os não-sodomitas devem se arrepender e ser tratados em campos especiais para curar esse desvio. Entre outras coisas, pretendem abolir totalmente a instituição do casamento.
Grupo sedentário pela transformação urbana
Inimigos principalmente dos Shoppings Centers e parques temáticos, eles pretendem inviabilizar o funcionamento de centros de lazer altamente mercadológicos. Suas táticas, criativas e radicais, envolvem geralmente convocar imensas multidões para sentar na frente de tais centros, de maneira a inviabilizar a entrada e de criar uma imagem de tédio sobre o alvo. Também destroem quadras e pistas de exercícios, como forma de protestar contra a ideologia capitalista do esporte e da perfeição corporal. Infelizmente, o grupo faz isso muito raramente pois seus mebros não curtem ficar saindo assim o tempo todo.
Mulheres Furiosas pela libertação caótica
O movimento mais radical até hoje, promove uma espécie distorcida de terrorismo poético. Suas fileiras são compostas de garotas pacatas e bonitinhas, com cara de inofensivas, que de tempos em tempos cometem atos de violência extrema, como descarregar metralhadoras em multidões e explodir casas noturnas lotadas.
sabato, marzo 05, 2005
mercoledì, marzo 02, 2005
"Porém duma feita quando embrulhava os pães na carrocinha percebeu Rosa que voltava da venda. Esperou muito naturalmente, não era nenhum mal-criado não. O sol dava de chapa no corpo que vinha vindo. Foi então que João pôs reparo na mudança da Rosa. Estava outra. Inteiramente mulher com pernas bem delineadas e dois seios agudos se contando na lisura da blusa que nem rubi de anel dentro da blusa. Isto é... João não viu nada disso, estou fantasiando a história. Depois do século dezenove os contadores parece que se sentem na obrigação de esmiuçar com sem-vergonhices essas coisas. Nem aquela côr de maçã camoesa amorenada limpa... Nem aquêles olhos de explendor solar... João reparou apenas que tinha um mal estar por dentro e concluiu que o mal-estar vinha da Rosa. Era a Rosa que estava dando aquilo nêle, não tem dúvida. Alastrou um riso perdido na cara. Foi-se embora tonto sem nem falar bom dia direito. Mas daí em diante não jogou mais os pães no passeio. Esperava que a Rosa viesse buscá-los na mão dêle."
De "O Besouro e a Rosa", in "os contos de belazarte", de Mário de Andrade.
Sei lá, queria citar, citei.
De "O Besouro e a Rosa", in "os contos de belazarte", de Mário de Andrade.
Sei lá, queria citar, citei.
mercoledì, febbraio 23, 2005
Uma breve história verídica
(aproveitem, que isso é raro por aqui)
O Alê é um sujeito contemporâneo.
Não conheço, nunca falei com ele, nunca vi mais gordo, nem mesmo no orkut.
Segundo o icq dele (uin:100159153), ele se chama Alexandre Ferreira, tem 29 anos - imagino que seja uma idade particularmente difícil, os 30 anos são um limite até segundo o que o Marlito disse que o Sartre (é assim?) escreveu. Mora aqui em São Paulo, é taurino, gosta de linguagens de programação, jogar futebol, viajar tanto para o litoral quanto para o interior e parece ser espírita.
O cara é provido de certa cultura, tendo em vista que sua página é essa aqui, com citação a Pompeu e tudo o mais.
E agora pouco, numa madrugada de terça para quarta, Ale (Alexandre no icq) decidiu ligar seu computador, procurar um sujeito completamente desconhecido - eu - e iniciar uma agradável conversa com a simpática e esperada frase: (ipsis literis)
vc curte at ou pass?
Só isso. Sem nenhum "oi"; "te vi no orkut"; "você vem sempre aqui?"; "tudo bem?"; "que balada você gosta? frequenta a loca, ou o wings?"; "posso te pagar um drinque?"; "ei, gatinho, você é entendido?". Nada. Se eu fosse uma garotinha oprimida, me sentiria um pedaço de carne exposto num açougue online. Ou se eu fosse uma vadiazinha oprimida, ia me achar gostosa pra caralho. Eu sendo eu, só fico feliz por não ter desistido nem do icq e nem do blog.
Nota do tradutor: embora não haja denotação específica para as expressões at e pass, o uso das duas concomitantemente numa conversa com desconhecidos no icq leva a elaborar a teoria de que se refiram a ativo e passivo, respectivamente.
O Alê é um sujeito contemporâneo.
Não conheço, nunca falei com ele, nunca vi mais gordo, nem mesmo no orkut.
Segundo o icq dele (uin:100159153), ele se chama Alexandre Ferreira, tem 29 anos - imagino que seja uma idade particularmente difícil, os 30 anos são um limite até segundo o que o Marlito disse que o Sartre (é assim?) escreveu. Mora aqui em São Paulo, é taurino, gosta de linguagens de programação, jogar futebol, viajar tanto para o litoral quanto para o interior e parece ser espírita.
O cara é provido de certa cultura, tendo em vista que sua página é essa aqui, com citação a Pompeu e tudo o mais.
E agora pouco, numa madrugada de terça para quarta, Ale (Alexandre no icq) decidiu ligar seu computador, procurar um sujeito completamente desconhecido - eu - e iniciar uma agradável conversa com a simpática e esperada frase: (ipsis literis)
vc curte at ou pass?
Só isso. Sem nenhum "oi"; "te vi no orkut"; "você vem sempre aqui?"; "tudo bem?"; "que balada você gosta? frequenta a loca, ou o wings?"; "posso te pagar um drinque?"; "ei, gatinho, você é entendido?". Nada. Se eu fosse uma garotinha oprimida, me sentiria um pedaço de carne exposto num açougue online. Ou se eu fosse uma vadiazinha oprimida, ia me achar gostosa pra caralho. Eu sendo eu, só fico feliz por não ter desistido nem do icq e nem do blog.
Nota do tradutor: embora não haja denotação específica para as expressões at e pass, o uso das duas concomitantemente numa conversa com desconhecidos no icq leva a elaborar a teoria de que se refiram a ativo e passivo, respectivamente.
martedì, febbraio 15, 2005
boom boom in the zoom zoom room
(O título é uma mentira. É só um nome engraçado de uma música que é uma belezinha... meio jazz sexy de cabaret depois da new wave. Tentem ouvir por aí. o título verdadeiro se encontra aí em baixo, em negrito. E por meio brega, entendam totalmente. E foda-se o excesso de metáforas fechadas, eu quiz.)
The Summer of Love ou Vontade meio brega de entender um pouco esse mundo assustador
E ficamos sabendo que cerca de metade de nós tinha de morrer em breve; não importava quem, contanto que estivessem mortos. Portanto nos coube decidir. Subimos, então, ao alto da torre mais alta, no topo do mundo, onde pudemos ver todas as coisas bonitas que há. Demos as mãos em roda, e embalados pelo ritmo frenético dessa beleza excessiva, começamos a dançar. A dança durou por um mês ou dois, mas o tempo objetivo diz que foi uma eternidade, uma vez que absortos no ritmo, perdemos qualquer contato com nossas memórias, com a realidade. Depois de uma aceleração infinita, eis que metade do grupo foi atirado da roda, com força tão grande que quebrou as grades da torre. Todos aqueles que foram arremessados caíram no mundo lá em baixo e a lei da gravidade os fez ser destruídos pelo próprio peso. Foi um choque. Ninguém esperava isso, porque os outros perderam a memória. Eu revelei as que guardei, de quando planejamos nosso sacrifício, e me chamaram de assassino. Estão furiosos. E nem podem ver os fantasmas de nossos amigos que se elevam mais rápidos do que cairam, para o alto acima da torre, ver mais do que vimos. Porque a eles está reservado também o prazer da beleza que não há.
The Summer of Love ou Vontade meio brega de entender um pouco esse mundo assustador
E ficamos sabendo que cerca de metade de nós tinha de morrer em breve; não importava quem, contanto que estivessem mortos. Portanto nos coube decidir. Subimos, então, ao alto da torre mais alta, no topo do mundo, onde pudemos ver todas as coisas bonitas que há. Demos as mãos em roda, e embalados pelo ritmo frenético dessa beleza excessiva, começamos a dançar. A dança durou por um mês ou dois, mas o tempo objetivo diz que foi uma eternidade, uma vez que absortos no ritmo, perdemos qualquer contato com nossas memórias, com a realidade. Depois de uma aceleração infinita, eis que metade do grupo foi atirado da roda, com força tão grande que quebrou as grades da torre. Todos aqueles que foram arremessados caíram no mundo lá em baixo e a lei da gravidade os fez ser destruídos pelo próprio peso. Foi um choque. Ninguém esperava isso, porque os outros perderam a memória. Eu revelei as que guardei, de quando planejamos nosso sacrifício, e me chamaram de assassino. Estão furiosos. E nem podem ver os fantasmas de nossos amigos que se elevam mais rápidos do que cairam, para o alto acima da torre, ver mais do que vimos. Porque a eles está reservado também o prazer da beleza que não há.
venerdì, febbraio 11, 2005
Me Alimenta
Me alimenta. Que eu tô com fome. Tenta me entorpecer, porque eu estou sóbrio; e se eu não ver a terra girar, acho que nunca vou conseguir me mexer sozinho. Talvez me bata, me machuque, para que eu fuja e descubra o mundo. Ou então me acolha, me deixe aninhar no seu colo até eu ficar mais forte, mesmo sabendo que já era a hora de estar pronto. Mas por favor me dê algo pra comer, que minha barriga ronca e eu já não posso mais. Estou aqui, faminto, morrendo, congelado no calor dessa cidade. Cidade fantasma de dez milhões de habitantes. Me alimenta.
Há, letra de música:
(quer dizer, só um refrão que no momento é o que importa e ninguém nunca lê inteiras mesmo)
So take me home, don’t leave me alone
I’m not that good, but I’m not that bad
No psycho killer, hooligan guerilla
I dream to riot, oh you should try it
I'll eat parole, get gold card soul
My joy of life is on a roll
And we’ll all be the same in the end
Cos then you’re on your own
Then you’re on your own
Há, letra de música:
(quer dizer, só um refrão que no momento é o que importa e ninguém nunca lê inteiras mesmo)
So take me home, don’t leave me alone
I’m not that good, but I’m not that bad
No psycho killer, hooligan guerilla
I dream to riot, oh you should try it
I'll eat parole, get gold card soul
My joy of life is on a roll
And we’ll all be the same in the end
Cos then you’re on your own
Then you’re on your own
lunedì, gennaio 31, 2005
O que um trabalho digno e verdadeiro pode fazer com você.
O trabalho é um grande defensor, divulgador e promotor da mentira.
Trabalhar faz as pessoas mentirem compulsivamente, alegremente e descaradamente.
Muita gente nunca tinha mentido antes do primeiro expediente, e se viu surpresa ao fim do dia contabilizando as prórias lorotas, cascatas e inverdades.
Da mesma forma, ou até pior, profissionais liberais são criaturas totalmente incapazes de pronunciar uma verdade, a exceção dos advogados, que ainda sabem como fazê-lo, mas escolheram guardar esse último recurso para emergências.
Se nas drogas se inicia com o álcool e a maconha, as mentiras trabalhistas nascem do hábito quase natural de dizer "eu já estou terminando" sobre o que você nem começou, e com os impressionantes (e quase sempre estúpidos) "pode deixar que eu faço". Quando vê, o mentiroso já se inseriu num mar de falsidade, e anuncia disparates como "meu chefe é um grande amigo meu" ou "todo mundo no escritório é incompetente, eu levo tudo nas costas".
As mentiras do trabalhador vem em pares de oposição, portanto, se alguém te disser: " Isto é praticamente impossível", entenda que é algo fácil que ele não quer fazer bem feito; bem como "Isso é muito fácil" é uma vil tentativa de delegar uma tarefa absurda e inatingível. Caso similar é o dos mentirosos que convencem ao mundo e a si mesmos de que há uma proporção inversa entre a velocidade da sua produção e o bom acabamento dos resultados. A clássica disputa entre "Claro que os relatórios de fulano são impecáveis. Ele leva uma semana pra fazer!" e "Bom, se Beltrano te entrega sete planilhas por dia, certamente tem a ver com o fato de elas não virem organizadas em sub-pastas alfabéticas com perfume de morango." Mas aí já estamos falando de mentir para si mesmo e começando a ficar pentelhos.
Há também aqueles que já são profissionais da engação antes de terem uma profissão para enganar. Adúlteros que vão "ficar de plantão até tarde, querida.", veteranos sádicos que vão "contar as historinhas da firma pra você se familiarizar" e mitomaníacos ricos que não precisam de um emprego mas não resistem às oportunidades.
E lembre-se, se você chegar completamente alcoolizado no serviço, significa que você está TRABALHANDO demais, e mal tem o tempo necessário de se recuperar.
Trabalhar faz as pessoas mentirem compulsivamente, alegremente e descaradamente.
Muita gente nunca tinha mentido antes do primeiro expediente, e se viu surpresa ao fim do dia contabilizando as prórias lorotas, cascatas e inverdades.
Da mesma forma, ou até pior, profissionais liberais são criaturas totalmente incapazes de pronunciar uma verdade, a exceção dos advogados, que ainda sabem como fazê-lo, mas escolheram guardar esse último recurso para emergências.
Se nas drogas se inicia com o álcool e a maconha, as mentiras trabalhistas nascem do hábito quase natural de dizer "eu já estou terminando" sobre o que você nem começou, e com os impressionantes (e quase sempre estúpidos) "pode deixar que eu faço". Quando vê, o mentiroso já se inseriu num mar de falsidade, e anuncia disparates como "meu chefe é um grande amigo meu" ou "todo mundo no escritório é incompetente, eu levo tudo nas costas".
As mentiras do trabalhador vem em pares de oposição, portanto, se alguém te disser: " Isto é praticamente impossível", entenda que é algo fácil que ele não quer fazer bem feito; bem como "Isso é muito fácil" é uma vil tentativa de delegar uma tarefa absurda e inatingível. Caso similar é o dos mentirosos que convencem ao mundo e a si mesmos de que há uma proporção inversa entre a velocidade da sua produção e o bom acabamento dos resultados. A clássica disputa entre "Claro que os relatórios de fulano são impecáveis. Ele leva uma semana pra fazer!" e "Bom, se Beltrano te entrega sete planilhas por dia, certamente tem a ver com o fato de elas não virem organizadas em sub-pastas alfabéticas com perfume de morango." Mas aí já estamos falando de mentir para si mesmo e começando a ficar pentelhos.
Há também aqueles que já são profissionais da engação antes de terem uma profissão para enganar. Adúlteros que vão "ficar de plantão até tarde, querida.", veteranos sádicos que vão "contar as historinhas da firma pra você se familiarizar" e mitomaníacos ricos que não precisam de um emprego mas não resistem às oportunidades.
E lembre-se, se você chegar completamente alcoolizado no serviço, significa que você está TRABALHANDO demais, e mal tem o tempo necessário de se recuperar.
giovedì, gennaio 27, 2005
Papai e a Pá
- Meu pai esconde cadáveres. Juro! Ué, você perguntou o que ele faz e eu respondi. Na outra escola não acreditaram também, sabia? Mas é verdade. Não sou louco não! Se você quiser, eu trago uma prova! Dããã, ele esconde porque não quer que as pessoas achem, oras. Por que a sua mãe esconde os biscoitos? Viu? Hmn, sei lá, acho que da polícia... meu pai fica nervoso sempre que tem polícia por perto, então acho que ela não pode achar os presuntos. Não, meu pai não esconde carne de porco! "Presunto" é o jeito que o chefe dele chama gente morta. Minha mãe que me ensinou a chamar de cadáver. Ela acha mais poético e instrutivo.
"Uma vez o chefe chegou correndo lá em casa, suado, no meio da noite. Gritou até o meu pai sair. Eles estavam tão assustados olhando pra própria sombra que nem perceberam que eu entrei no carro e fui com os dois. O seu Astozzi, que é o nome engraçado do chefe, falou que tinha matado um cafetão por acidente, que ele tava muito chapado, o pó, sabe como é? A minha mãe também diz que quer matar alguém quando vai tirar o pó das coisas, mas acho que não é do mesmo tipo... A gente chegou no lugar onde o tal do cafetão tinha morrido, e eu fiquei um pouco triste, porque eu perguntei pro meu pai se ele era um cafetão, cadê todo o café, que eu queria um pouco porque tava com muito sono, e ele riu e foi explicar que cafetão não queria dizer isso, daí percebeu que eu tava lá e deu um berrão enorme comigo que eu caí no chão e comecei a chorar. Meu pai pediu desculpas, fez um cafuné, e pediu pra eu fazer segredo, por isso que não é pra contar pra ninguém da outra sala, tá bom?"
"Aí ele levantou e eles começaram a conversar, eu só olhando. Meu pai avisou que o serviço era muito em cima da hora e que o sujeito era tão gordo que ele ia ter que cobrar o dobro, mas o homem falou alguma coisa de família e então o papai só cobrou cinquenta porcento a mais. Pegou um dos enormes plasticões pretos que ele guarda no porta malas do carro, estendeu do lado do presunto e pediu pro Astozzi ajudar a enrolar aquele monte de banha; depois, cortou uns pedaçoes bem grandes de corda com o canivete suíço e amarrou bem apertado, pra não desfazer o embrulho. Na hora de colocar dentro do carro, eles quase quebraram a coluna. O corpo era tão grande que não coube direito, e meu pai teve que pegar um bastão de metal e ficar batendo e entuchando até dar pra fechar. Ficou tudo manchado de sangue, e meio fedido, minha mãe ficou uma fera. Aí a gente foi prum aterro sanitário, onde tinha menos sangue, mas fede bem mais. Meu pai pegou uma pá e começou a cavar uma cova. Eu peguei o canivete e cortei um dedinho em segredo, pra guardar de recordação. É verdade, juro! Quer ver? Tá aqui no meu bolso... ei, volta aqui, espera! Droga, odeio almoçar sozinho!"
"Uma vez o chefe chegou correndo lá em casa, suado, no meio da noite. Gritou até o meu pai sair. Eles estavam tão assustados olhando pra própria sombra que nem perceberam que eu entrei no carro e fui com os dois. O seu Astozzi, que é o nome engraçado do chefe, falou que tinha matado um cafetão por acidente, que ele tava muito chapado, o pó, sabe como é? A minha mãe também diz que quer matar alguém quando vai tirar o pó das coisas, mas acho que não é do mesmo tipo... A gente chegou no lugar onde o tal do cafetão tinha morrido, e eu fiquei um pouco triste, porque eu perguntei pro meu pai se ele era um cafetão, cadê todo o café, que eu queria um pouco porque tava com muito sono, e ele riu e foi explicar que cafetão não queria dizer isso, daí percebeu que eu tava lá e deu um berrão enorme comigo que eu caí no chão e comecei a chorar. Meu pai pediu desculpas, fez um cafuné, e pediu pra eu fazer segredo, por isso que não é pra contar pra ninguém da outra sala, tá bom?"
"Aí ele levantou e eles começaram a conversar, eu só olhando. Meu pai avisou que o serviço era muito em cima da hora e que o sujeito era tão gordo que ele ia ter que cobrar o dobro, mas o homem falou alguma coisa de família e então o papai só cobrou cinquenta porcento a mais. Pegou um dos enormes plasticões pretos que ele guarda no porta malas do carro, estendeu do lado do presunto e pediu pro Astozzi ajudar a enrolar aquele monte de banha; depois, cortou uns pedaçoes bem grandes de corda com o canivete suíço e amarrou bem apertado, pra não desfazer o embrulho. Na hora de colocar dentro do carro, eles quase quebraram a coluna. O corpo era tão grande que não coube direito, e meu pai teve que pegar um bastão de metal e ficar batendo e entuchando até dar pra fechar. Ficou tudo manchado de sangue, e meio fedido, minha mãe ficou uma fera. Aí a gente foi prum aterro sanitário, onde tinha menos sangue, mas fede bem mais. Meu pai pegou uma pá e começou a cavar uma cova. Eu peguei o canivete e cortei um dedinho em segredo, pra guardar de recordação. É verdade, juro! Quer ver? Tá aqui no meu bolso... ei, volta aqui, espera! Droga, odeio almoçar sozinho!"
mercoledì, gennaio 19, 2005
Está acabando, e por isso mesmo parece melhor do que de fato é.
Mas, ainda que talvez não seja tão bom, não quero que acabe.
Absolutamente nada é absoluto, muito menos a terra do nunca, e portanto não há muito o que fazer. Espero que isso seja apenas uma casaca de ovo a se quebrar por dentro. Se nada dura para sempre, as angústias também passarão.
Mas, ainda que talvez não seja tão bom, não quero que acabe.
Absolutamente nada é absoluto, muito menos a terra do nunca, e portanto não há muito o que fazer. Espero que isso seja apenas uma casaca de ovo a se quebrar por dentro. Se nada dura para sempre, as angústias também passarão.
giovedì, gennaio 13, 2005
Ok, computer.
Meu computador cometeu suicídio. Estou com saudades (e sem postar).
Mas um HD pode ter uma sobrevida graças a criogênia, e isso é algo que me agrada saber.
Mas, para se saber: Guerra é guerra! Só que, depois da convenção de Genebra, isso ficou cada vez mais non-sense!
Uma balada Dândi ou um Sarau Beatnick? O que você prefere?
E se tudo der certo, esse vai ser o primeiro blog com gerador de caractéres, e isso é muito legal. Quando eu voltar a ser um interneteiro.
Mas um HD pode ter uma sobrevida graças a criogênia, e isso é algo que me agrada saber.
Mas, para se saber: Guerra é guerra! Só que, depois da convenção de Genebra, isso ficou cada vez mais non-sense!
Uma balada Dândi ou um Sarau Beatnick? O que você prefere?
E se tudo der certo, esse vai ser o primeiro blog com gerador de caractéres, e isso é muito legal. Quando eu voltar a ser um interneteiro.
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