"(...)o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, só sei escrever o seu sentido"
José Luís Peixoto, em A criança em ruínas, conforme citado pela Julia
Sabem, gente,
O amor próprio logo se torna impróprio.
Autosuficiência de cu é rola, e tem pouquíssima gente que consegue encaixar os seus dois próprios.
O resto de nós precisa dos outros. Precisa ser precisado pelos outros num processo que se chama amor.
NÃO estou falando que você precisa casar para ser feliz, estou falando de Hamor com agá minúsculo, estou falando do outro, da humanidade, da vida lá fora.
O amante precisa de um par, o bon vivant precisa de amigos, o artista precisa do apreciador. É por pessoas assim que a gente faz as coisas, que a gente aguenta tudo, que a gente não come tudo o que quer, não diz tudo o que pensa de uma vez, não entrega tudo o que tem; para continuar vivo e saudável e poder fazer mais, pelos outros.
Ultimamente tenho andado por essa cidade e visto a humanidade por aí...
fazer as coisas por essa gente? Por essa gentinha?
Quero descer.
Visualizzazione post con etichetta mimimi. Mostra tutti i post
Visualizzazione post con etichetta mimimi. Mostra tutti i post
lunedì, dicembre 15, 2008
lunedì, novembre 03, 2008
The "we are not amused" trade union
Eu tenho uma idéia de uma coisa interessante para dizer aqui. Mas é confusa e pretensiosa e eu tenho preguiça de escrever.
Eu tenho uma vontade (/desejo/necessidade/urgência) de jogar essa vida fora e começar uma nova
masnemseiqualenemseicomo
quer dizer
amanhã sai a resposta do programa da fulgright, então eu finjo que ainda não tenho nenhuma atitude para tomar antes disso.
Mas é um tédio.
Eu tenho uma vontade (/desejo/necessidade/urgência) de jogar essa vida fora e começar uma nova
masnemseiqualenemseicomo
quer dizer
amanhã sai a resposta do programa da fulgright, então eu finjo que ainda não tenho nenhuma atitude para tomar antes disso.
Mas é um tédio.
lunedì, ottobre 20, 2008
Em sinal de respeito, a primavera esqueceu de vir. Hoje eu vi uma capivara bebê na estação de trem. O rio está lento e no curso normal. Tem alguns dias que ele não está, a gente vive numa cidade com um rio que corre ao contrário.
Fora isso, é aquela coisa. A gente acorda, pega trânsito, trabalha, pega trânsito, volta para casa, pensa "é isso" e vai dormir.
That's real exciting material.
Fora isso, é aquela coisa. A gente acorda, pega trânsito, trabalha, pega trânsito, volta para casa, pensa "é isso" e vai dormir.
That's real exciting material.
lunedì, ottobre 06, 2008
É uma decisão importante e difícil, que não deve ser tomada precipitadamente
começar um relacionamento, mudar de emprego, trancar a faculdade, ter um filho, morar juntos, sair de casa, criar um cachorro, entrar para a cruz vermelha
A vida é cheia de desafios e oportunidades e dificuldades e você não quer que uma má escolha na hora errada venha por tudo a perder.
Então por que as pessoas acham tão fácil decidir
sair de casa de manhã, assistir o novo filme do Tarantino, se preferem chuva ou se preferem sol, continuarem solteiras até segunda ordem, pagar o aluguel em dia, pegar o ônibus que te serve ao invés de um qualquer outro que vai te deixar perdido pela cidade?
Para mim, são todas decisões ridiculamente fáceis do mesmo jeito.
começar um relacionamento, mudar de emprego, trancar a faculdade, ter um filho, morar juntos, sair de casa, criar um cachorro, entrar para a cruz vermelha
A vida é cheia de desafios e oportunidades e dificuldades e você não quer que uma má escolha na hora errada venha por tudo a perder.
Então por que as pessoas acham tão fácil decidir
sair de casa de manhã, assistir o novo filme do Tarantino, se preferem chuva ou se preferem sol, continuarem solteiras até segunda ordem, pagar o aluguel em dia, pegar o ônibus que te serve ao invés de um qualquer outro que vai te deixar perdido pela cidade?
Para mim, são todas decisões ridiculamente fáceis do mesmo jeito.
lunedì, settembre 29, 2008
Como conta o tempo uma pessoa à deriva
Às sete da noite são horas de achar que tudo vai melhorar logo, às oito e meia de perceber que nada mudou. Terças feiras a gente conta as semanas de quando o telefone não tocou, domingos a gente conta as semanas e ponto. Dia primeiro a gente conta já dois outubros em que eu não sei mais quem sou, no fim do ano a gente soma mais quantas vezes não ganhamos na sena, amanhã não vou contar quantas vezes desligarei o despertador antes de me levantar.
martedì, settembre 16, 2008
Frankincense
The Student looked up from the grass, and listened, but he could not understand what the Nightingale was saying to him, for he only knew the things that are written down in books.
Vreska vai ficar congeladinha um tempo na fila. Escreverei um roteiro relâmpago, primeiro em língua inglesa e depois na da terrinha, para fins específicos mencionáveis mediante resultados. Uma contra-adaptação do conto do Oscar Wilde. Acho que vou usar uma avó e um neto, numa contação de história lúdica.
Bom, só porque Karen Cunha me mandou atualizar.
Vreska vai ficar congeladinha um tempo na fila. Escreverei um roteiro relâmpago, primeiro em língua inglesa e depois na da terrinha, para fins específicos mencionáveis mediante resultados. Uma contra-adaptação do conto do Oscar Wilde. Acho que vou usar uma avó e um neto, numa contação de história lúdica.
Bom, só porque Karen Cunha me mandou atualizar.
giovedì, agosto 07, 2008
Que me sobra ímpeto e me falta parnasianismo, todo o mundo já sabe. Mas existe essa mítica, esse totem a quem preciso encontrar, chamado de "produção regular". É preciso muita coragem para, dia após dia, ter o que dizer. Mesmo nas mesas, fico calado. O olhar está desacostumado; sem vivacidade; o mundo aí cheio de assuntos na nossa frente, e eu não vejo nenhum.
(Por isso que aqui a poeira ajunta)
(Por isso que aqui a poeira ajunta)
martedì, maggio 13, 2008
Os dias vêm como notificações de despejo
As coisas acontecem. Primeiro uma, depois duas, depois três.
Geralmente três são o bastante. As bolsas sob meus olhos tornam-se pesadas como se eu tivesse cem anos. Desistindo de seu confronto com o pulmão, o diafragma resigna-se a erguer-se até metade do caminho; o pulmão, por sua vez, se sente traído - mas, mesmo que tente, não consegue provocar o velho músculo para que volte à briga de sempre, uma vez que ele Já não se importa mais. Pobre do coração, que, abusado pelos insultos disparados aleatoriamente pelo colega valentão, arrepia-se a bater para todos os lados, fora do eixo, cada vez mais rápido e cada vez mais fraco. É assim que eu fico, depois que as coisas acontecem.
Primeiro uma, depois duas, depois três. Atuam em escalas tão distintas, até mesmo o conceito de "coisa" se torna difuso. Pode ser um dia que está um pouco feio, excesso de sujeira na sua mesa do trabalho, uma discussão sem razão de ser, um sorriso de despedida que pareça minimamente menos esperançoso do que o anterior, um prazo que se atraza, um aviso de que algo precisa ser refeito. Para que eu acredite que toda a minha alma precisa ser refeita. Com três coisas qualquer, assim.
Não é natural, nem humano. Talvez pareça com castigo divino, mas ressoa tão mais primitivo do que tudo.
As contas à pagar são sim o fim do mundo.
Geralmente três são o bastante. As bolsas sob meus olhos tornam-se pesadas como se eu tivesse cem anos. Desistindo de seu confronto com o pulmão, o diafragma resigna-se a erguer-se até metade do caminho; o pulmão, por sua vez, se sente traído - mas, mesmo que tente, não consegue provocar o velho músculo para que volte à briga de sempre, uma vez que ele Já não se importa mais. Pobre do coração, que, abusado pelos insultos disparados aleatoriamente pelo colega valentão, arrepia-se a bater para todos os lados, fora do eixo, cada vez mais rápido e cada vez mais fraco. É assim que eu fico, depois que as coisas acontecem.
Primeiro uma, depois duas, depois três. Atuam em escalas tão distintas, até mesmo o conceito de "coisa" se torna difuso. Pode ser um dia que está um pouco feio, excesso de sujeira na sua mesa do trabalho, uma discussão sem razão de ser, um sorriso de despedida que pareça minimamente menos esperançoso do que o anterior, um prazo que se atraza, um aviso de que algo precisa ser refeito. Para que eu acredite que toda a minha alma precisa ser refeita. Com três coisas qualquer, assim.
Não é natural, nem humano. Talvez pareça com castigo divino, mas ressoa tão mais primitivo do que tudo.
As contas à pagar são sim o fim do mundo.
venerdì, febbraio 15, 2008
nothing (lifestyle of a tortured artist for sale)
Cloridrato de imipramina (antidepressivo), neuleptil pediátrico (pra impulsividade), dipirona sódica (pras constantes dores de cabeça e nos dentes), vitoryn 10/20 (pro colesterol), cloridrato de minociclina (antibiótico pra acne), legalon (pro estrago no fígado); fio dental especial pra conseguir entrar nos meus dentes apertados, anti-séptico bucal especial pra regenerar minha gengiva; uma tatuagem pra auto-estima, shampoo e condicionador melhorzinhos pra ajeitar o cabelo.
Terapia duas vezes por semana, sessões acompanhadas de escrita do tcc para não abandoná-lo de novo; psiquiatra, urologista, dentista semanal até abril, cardiologista, nutricionista.
Suco de uva integral, arroz integral, tenho que voltar para a ginástica.
Trabalho em duas produtoras, contatos para trabalhar em mais algumas.
ALL FOR NOTHING
nada disso pode preencher meu buraco negro.
como vou resolver uma perda imensurável com ganhos mensuráveis?
Me sinto como aquele cara do evangelho, vaidade das vaidades, e isso só me dá mais raiva de mim mesmo.
Terapia duas vezes por semana, sessões acompanhadas de escrita do tcc para não abandoná-lo de novo; psiquiatra, urologista, dentista semanal até abril, cardiologista, nutricionista.
Suco de uva integral, arroz integral, tenho que voltar para a ginástica.
Trabalho em duas produtoras, contatos para trabalhar em mais algumas.
ALL FOR NOTHING
nada disso pode preencher meu buraco negro.
como vou resolver uma perda imensurável com ganhos mensuráveis?
Me sinto como aquele cara do evangelho, vaidade das vaidades, e isso só me dá mais raiva de mim mesmo.
lunedì, febbraio 11, 2008
Categorias
Tem a matinal, a vespertina e a noturna.
A vespertina não é nenhum grande problema; quase sempre é possível dar uma volta, tomar um café, comer alguma coisa, andar por aí, e abranda-se.
A matinal seria um horror, quando vem, pega pesado mesmo, mas geralmente, nesses casos, a gente simplesmente nem acorda e deixa pra vespertina vir suave.
As noturnas, como a gente acostuma, ficam parecendo até suaves. Mas a crueldade é a freqüência. É quase toda noite; é inevitável. É saber que o travesseiro já pegou esse gosto e esse cheiro, e não há nada que se possa fazer.
Boa noite, hoje vai ser uma dessas.
A vespertina não é nenhum grande problema; quase sempre é possível dar uma volta, tomar um café, comer alguma coisa, andar por aí, e abranda-se.
A matinal seria um horror, quando vem, pega pesado mesmo, mas geralmente, nesses casos, a gente simplesmente nem acorda e deixa pra vespertina vir suave.
As noturnas, como a gente acostuma, ficam parecendo até suaves. Mas a crueldade é a freqüência. É quase toda noite; é inevitável. É saber que o travesseiro já pegou esse gosto e esse cheiro, e não há nada que se possa fazer.
Boa noite, hoje vai ser uma dessas.
martedì, gennaio 29, 2008
lunedì, gennaio 07, 2008
When someone great is gone?
Depois de cantar o abandono, muitas e muitas vezes; de praguejar contra a lua, os amantes e toda a roda da fortuna, depois, a gente repara nos versos que estava cantando.
Quem foi embora, de todo mundo que mais me dói? Fui eu mesmo!
Me abandonei tanto que nem conseguia mais falar de mim mesmo no tempo presente.
(o youtube não permite embedar o vídeo que deveria estar aqui, cliquem nessa frase idiota)
Quem foi embora, de todo mundo que mais me dói? Fui eu mesmo!
Me abandonei tanto que nem conseguia mais falar de mim mesmo no tempo presente.
(o youtube não permite embedar o vídeo que deveria estar aqui, cliquem nessa frase idiota)
mercoledì, dicembre 19, 2007
Ontem, atrás do cemitério da Consolação, eu cantei
Felicidade foi se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Antes mesmo de me lembrar que essa música existia.
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar
Antes mesmo de me lembrar que essa música existia.
martedì, novembre 13, 2007
mercoledì, ottobre 24, 2007
Revelando o grande segredo maior desse ser humano que vos escreve
"Talvez se eu escrever só um trecho, um trecho que não seja compreensível por si só, mas talvez valha por si só, exatamente por ser um trecho, que poderia estar em tantos pensamentos, do pensamento mal pensado que penso agora, enquanto penso que talvez eu não sobreviva até o dia de amanhã, ou talvez sobreviva, mas morra de vez de dentro de mim o ser-quem-sou, ou seja, não, ninguém desconfie de nada e talvez alguém até ache que eu sirva para alguma coisa"
...Tanto assim quanto qualquer um por aí tem, e o sol continua a nascer, por mais que acreditemos que, por favor, amanhã não.
...Tanto assim quanto qualquer um por aí tem, e o sol continua a nascer, por mais que acreditemos que, por favor, amanhã não.
martedì, agosto 28, 2007
The Real Man
Alguns de nós bebem para se sentirem potentes.
É por causa do meu pai, mas eu me sinto potente cada vez que não bebo, numa hora dessas. E até que são bastante horas.
Mas daí que essa potência se torna insuficiente, mínima. Ínfima.
O céu daqui de casa continua brilhando cor-de-rosa, toda noite. Eu nunca vi uma estrela, acho que elas pertencem aos contos de fadas. Mas a Lua, ah, a Lua, me esmaga com seu peso sempre que são cinco da manhã e eu estou atrasado pra terminar o meu sonho.
Não entendo perfeccionismo, sabe como é? Dedicação, também não. Ou a coisa sai, assim, na hora, como ela é, com todos os seus defeitos, ou simplesmente não existe e nunca existirá.
Me considero despreparado, ainda não feito para o mundo, imperfeito para cumprir minha função, preciso ser guardado para depois. Portanto, é só o lógico deduzir que não existo.
Tenho os sonhos de outra pessoa ali pra terminar, numa folha de papel feita de mil pedacinhos de areia quentes como o mel sobre uma torrada. Estou apaixonado por ela e me temo imperfeito para sonhar seus sonhos, e nunca começo, e, por minha culpa, ela não existe.
A televisão te perguntou se você já pensou em se matar. É uma questão complicada. Acredito que o devaneio sobre o suicídio é como aquele sobre a mega-sena: sempre passa pelas cabeças, como solução absurda para problemas sem fim. Bom, eu já me imaginei ganhando na mega-sena, isso quer dizer que eu sou triste?
Aquele prédio na Consolação te perguntou, o velho sem dentes, se você é feliz. Mais louco é quem me diz. Mais louco.
Não é quando eu bebo, é quando já chega de beber e são oito dá manhã e eu estou muito ocupado sendo miserável, que eu sou incapaz de dar um jeito nessa porra dessa minha vida. E eu sempre acabo dando um jeito na vida de alguém, assim, lixo humano. É só nessa hora que me sinto potente, um homem de verdade. Mas escurece, de novo (e escurecer aqui continua sendo uma mudança do cinza para o rosa) e a Lua me manda mais uma carta, sempre escrito que eu ainda não sou perfeito, que não existo.
O último clichê que eles me mandaram foi aquele em que a gente descobre que as pessoas que tem tudo o que a gente queria ter não são lá felizes com isso; logo depois, você se encontra reclamando de uma sina sua que seria fortuna para milhares a seu redor.
O clichê e o kitsch não são mentiras: são mito. Estamos cansados deles porque se repetem eternamente, justificando nossa realidade. São o princípio da realidade. Cada história de melodrama, cada moral do século XX, é minha realidade e sombra.
Sombra cor de rosa que se estende por toda a cidade pesando quatro fases e todos os grandes saltos para a humanidade nas minhas costas.
O homem da cidade procura conforto no campo; nenhum som que não o vento e os pássaros e algumas idéias tem na cabeça. Matarei todas as aves do mundo, por um barulho de máquinas, algumas buzinas e uma luz de neon enguiçada fazendo aquele zumbido irritante em baixo de onde eu durmo a noite inteira.
Ou talvez, uma valsa tocada na guitarra elétrica, e um sintetizador pedindo um pouco mais de poesia ao se servir os copos de uísque, olha como você está inclinando esse pulso, o que Baudelaire diria disso?
É por causa do meu pai, mas eu me sinto potente cada vez que não bebo, numa hora dessas. E até que são bastante horas.
Mas daí que essa potência se torna insuficiente, mínima. Ínfima.
O céu daqui de casa continua brilhando cor-de-rosa, toda noite. Eu nunca vi uma estrela, acho que elas pertencem aos contos de fadas. Mas a Lua, ah, a Lua, me esmaga com seu peso sempre que são cinco da manhã e eu estou atrasado pra terminar o meu sonho.
Não entendo perfeccionismo, sabe como é? Dedicação, também não. Ou a coisa sai, assim, na hora, como ela é, com todos os seus defeitos, ou simplesmente não existe e nunca existirá.
Me considero despreparado, ainda não feito para o mundo, imperfeito para cumprir minha função, preciso ser guardado para depois. Portanto, é só o lógico deduzir que não existo.
Tenho os sonhos de outra pessoa ali pra terminar, numa folha de papel feita de mil pedacinhos de areia quentes como o mel sobre uma torrada. Estou apaixonado por ela e me temo imperfeito para sonhar seus sonhos, e nunca começo, e, por minha culpa, ela não existe.
A televisão te perguntou se você já pensou em se matar. É uma questão complicada. Acredito que o devaneio sobre o suicídio é como aquele sobre a mega-sena: sempre passa pelas cabeças, como solução absurda para problemas sem fim. Bom, eu já me imaginei ganhando na mega-sena, isso quer dizer que eu sou triste?
Aquele prédio na Consolação te perguntou, o velho sem dentes, se você é feliz. Mais louco é quem me diz. Mais louco.
Não é quando eu bebo, é quando já chega de beber e são oito dá manhã e eu estou muito ocupado sendo miserável, que eu sou incapaz de dar um jeito nessa porra dessa minha vida. E eu sempre acabo dando um jeito na vida de alguém, assim, lixo humano. É só nessa hora que me sinto potente, um homem de verdade. Mas escurece, de novo (e escurecer aqui continua sendo uma mudança do cinza para o rosa) e a Lua me manda mais uma carta, sempre escrito que eu ainda não sou perfeito, que não existo.
O último clichê que eles me mandaram foi aquele em que a gente descobre que as pessoas que tem tudo o que a gente queria ter não são lá felizes com isso; logo depois, você se encontra reclamando de uma sina sua que seria fortuna para milhares a seu redor.
O clichê e o kitsch não são mentiras: são mito. Estamos cansados deles porque se repetem eternamente, justificando nossa realidade. São o princípio da realidade. Cada história de melodrama, cada moral do século XX, é minha realidade e sombra.
Sombra cor de rosa que se estende por toda a cidade pesando quatro fases e todos os grandes saltos para a humanidade nas minhas costas.
O homem da cidade procura conforto no campo; nenhum som que não o vento e os pássaros e algumas idéias tem na cabeça. Matarei todas as aves do mundo, por um barulho de máquinas, algumas buzinas e uma luz de neon enguiçada fazendo aquele zumbido irritante em baixo de onde eu durmo a noite inteira.
Ou talvez, uma valsa tocada na guitarra elétrica, e um sintetizador pedindo um pouco mais de poesia ao se servir os copos de uísque, olha como você está inclinando esse pulso, o que Baudelaire diria disso?
lunedì, luglio 30, 2007
All of these are "Heartbreak Hotel" over and over again
Eu não experimentava saudades de pessoas antes.
De situações, de lugares, de épocas, de relações, sim, nunca tive um coração de pedra. Mas essa coisa, essa vontade de ver, de escrever, de ligar, de abraçar, de "quão duro vai ser viver essa vida sem você aqui", não tinha não.
Eu disse cá dentro que tem a ver com solidão (de certa forma, é um sentimento contraditório que também veio agora). Me disseram daí de fora que é por crescer, envelhecer, se tornar adulto. Acredito que as duas asserções estejam corretas. Mais ainda, que elas sejam equações diferentes com o mesmo resultado.
Crescer é tornar-se sozinho.
Nascemos da fusão de seres humanos, surgimos cercados e dependentes. Cada vez menos
até que sozinhos numa caixa de madeira.
Eu queria amar alguém que morreu, para deixar uma carta no cemitério.
De situações, de lugares, de épocas, de relações, sim, nunca tive um coração de pedra. Mas essa coisa, essa vontade de ver, de escrever, de ligar, de abraçar, de "quão duro vai ser viver essa vida sem você aqui", não tinha não.
Eu disse cá dentro que tem a ver com solidão (de certa forma, é um sentimento contraditório que também veio agora). Me disseram daí de fora que é por crescer, envelhecer, se tornar adulto. Acredito que as duas asserções estejam corretas. Mais ainda, que elas sejam equações diferentes com o mesmo resultado.
Crescer é tornar-se sozinho.
Nascemos da fusão de seres humanos, surgimos cercados e dependentes. Cada vez menos
até que sozinhos numa caixa de madeira.
Eu queria amar alguém que morreu, para deixar uma carta no cemitério.
Iscriviti a:
Post (Atom)