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lunedì, agosto 03, 2009

uma coisinha

Sempre que você pensar que ninguém nunca pode ter se sentido tão sozinho quanto você, neste ou naquele momento, lembre-se.
Para um recém nascido nada que esteja além dos seus sentidos existe, a efemeridade das coisas é tão grande quanto o alcance da vista é curto e, cada vez que ele é posto para dormir, torna-se o único ser humano em todo o universo.
Toda vez.

domenica, luglio 26, 2009

Parte Um

Fui apresentado à prática da individualidade meio tarde, com uns oito ou nove anos.
Na época, minha atividade preferida era "imaginar", que era o melhor nome que eu tinha para essa brincadeira.
Minha imaginação, no entanto, não independia do plano material como essa definida no dicionário. Muito menos usava os recursos comuns das brincadeiras de imaginário - desenhos, livros, bonecos, etc.
Para imaginar eu precisava de um (nunca dei um nome para esse objeto, nunca mesmo, mas para facilitar a vida de quem lê, chamemos-no de imaginador).
Um imaginador consiste de qualquer objeto disponível ao alcance das mãos, que possa ser movido (mesmo que arrancado) de seu local de origem, possua estrutura flexível, seja comprido e fino. Alguns exemplos de imaginadores incluem cabos e fios de aparelhos eletrônicos, talinhos altos de grama e mato, cordões e barbantes (embora esses geralmente fossem considerados moles demais).
O imaginador ideal teria entre 10 e 50 centímetros de comprimento, não mais que um centímetro de diâmetro e a consistência de um fio de cobre recoberto com capa de borracha.

Obtido o instrumento, começava a ação: eu me agachava próximo ao chão e sacodia o imaginador para lá e para cá, observando e ajustando seus volteios e ondulações. Enquanto isso, dava pequenos saltos e agitava meu corpo conforme o ritmo e a intensidade da imaginação obtida. Emitia barulhos com a boca, também, algo como um shwwhsshshs, para complementar o movimento.

Conforme fui crescendo meus pais se preocuparam e começaram a coibir a brincadeira. Pára de ficar ciscando no chão, menino! Vão achar que você é maluco! Tá com energia pra gastar vai jogar bola, vai correr na rua.

Foi assim que imaginar passou a ser o meu primeiro prazer proibido; muito antes da masturbação e das rebeldias, era o ato de imaginar aquilo que eu precisava fazer escondido.

Em ambientes novos, sempre era necessário pesquisar a disponibilidade de imaginadores em potencial. Se eu não os encontrasse a sensação de opressão era tamanha que eu fazia de tudo para ser levado embora. Nas viagens de escola, tinha medo de não ter momentos de privacidade onde pudesse imginar sem ser avistado pelos outros.

Foi assim que eu aprendi a às vezes me esconder, a exigir ter o meu tempo, a procurar me separar dos outros.
Mas eu nunca aprendi direito.

giovedì, luglio 10, 2008

Um cérebro vivo a vinagrete

O pensamento avoa mas, nas pontas dos dedos, a-s-l-e-t-r-i-n-h-a-s-n-ã-o-j-u-n-t-a-m. Para nada na vida.
Tenho que escrever um TCC, um projeto de filme alheio, um projeto meu, um comentário sobre a vida. Mas o centro não segura, tudo esboroa¹.
O cérebro está tudo bem, mas precisamos acho que de um cerebelo para botar a casa em ordem.

lunedì, giugno 16, 2008

Um Deus ex Machina, para viagem, por favor

A Dialética do Abandono é aquilo que toda criança experimenta quando se perde dos pais. Num estado de fragilidade total, se reconhece o gozo da esperança plena a partir do momento em que tudo pode ser a sua salvação - qualquer pessoa, qualquer lugar, qualquer acontecimento. Deixados na praia, esperamos um milagre guardado em cada onda do mar.

É da primeira vez que uma criança fica só contra o mar que ela volta para casa gostando de sal, de comida salgada. Antes disso o paladar só reconhece o doce, não sabe apurar a ausência, a maravilha que é encontrar algo que lhe provoque sede.

Toda a raiva que a criança começa a sentir, então; do pai, da mãe, dos desconhecidos que não o acolhem e, finalmente, dos que lhe acolhem, é uma forma travestida de felicidade. Uma declaração do Eu. Fui deixado sozinho? Pois bem, pela primeira vez, existo por mim mesmo.

Mas sabemos que não é verdade. Nós não existimos, companheiros, e é isso que me instiga.

martedì, maggio 13, 2008

Os dias vêm como notificações de despejo

As coisas acontecem. Primeiro uma, depois duas, depois três.

Geralmente três são o bastante. As bolsas sob meus olhos tornam-se pesadas como se eu tivesse cem anos. Desistindo de seu confronto com o pulmão, o diafragma resigna-se a erguer-se até metade do caminho; o pulmão, por sua vez, se sente traído - mas, mesmo que tente, não consegue provocar o velho músculo para que volte à briga de sempre, uma vez que ele Já não se importa mais. Pobre do coração, que, abusado pelos insultos disparados aleatoriamente pelo colega valentão, arrepia-se a bater para todos os lados, fora do eixo, cada vez mais rápido e cada vez mais fraco. É assim que eu fico, depois que as coisas acontecem.

Primeiro uma, depois duas, depois três. Atuam em escalas tão distintas, até mesmo o conceito de "coisa" se torna difuso. Pode ser um dia que está um pouco feio, excesso de sujeira na sua mesa do trabalho, uma discussão sem razão de ser, um sorriso de despedida que pareça minimamente menos esperançoso do que o anterior, um prazo que se atraza, um aviso de que algo precisa ser refeito. Para que eu acredite que toda a minha alma precisa ser refeita. Com três coisas qualquer, assim.

Não é natural, nem humano. Talvez pareça com castigo divino, mas ressoa tão mais primitivo do que tudo.

As contas à pagar são sim o fim do mundo.

lunedì, marzo 10, 2008

Not me in Wonderland

Quando a Alice cresce muito no País das Maravilhas, os pássaros, apavorados, gritam "Serpente!". Mas quem são os pássaros? O País. E o país, imaginário como tal, nada mais é que Alice ela mesma. Portanto, nota-se, todo o caso é apenas um subterfúgio da menina para se acusar da própria deformação; cresceu tanto que virara serpente.
A desfiguração da Alice - que é imaginária, portanto, é o leitor já retransfigurado (situação que se torna ainda mais complicada, dado que o leitor, aqui, é você, mas, no livro, sou eu) - significa nossa impossibilidade de reconhecermos quando comemos o cogumelo e ficamos muito grandes. Ouça-se Jefferson's Airplane. Pois bem, ao assumir proporções gigantescas, ao expandir-nos o limite do eu, encontramos vigor e vitalidade, sentimo-nos completos. Ou seja, o que não devemos ser. Ou seja, um monstro.
Serpente. Hidra.
Nossa potência é mortal e constrangedora.

venerdì, febbraio 15, 2008

nothing (lifestyle of a tortured artist for sale)

Cloridrato de imipramina (antidepressivo), neuleptil pediátrico (pra impulsividade), dipirona sódica (pras constantes dores de cabeça e nos dentes), vitoryn 10/20 (pro colesterol), cloridrato de minociclina (antibiótico pra acne), legalon (pro estrago no fígado); fio dental especial pra conseguir entrar nos meus dentes apertados, anti-séptico bucal especial pra regenerar minha gengiva; uma tatuagem pra auto-estima, shampoo e condicionador melhorzinhos pra ajeitar o cabelo.
Terapia duas vezes por semana, sessões acompanhadas de escrita do tcc para não abandoná-lo de novo; psiquiatra, urologista, dentista semanal até abril, cardiologista, nutricionista.
Suco de uva integral, arroz integral, tenho que voltar para a ginástica.
Trabalho em duas produtoras, contatos para trabalhar em mais algumas.

ALL FOR NOTHING

nada disso pode preencher meu buraco negro.
como vou resolver uma perda imensurável com ganhos mensuráveis?

Me sinto como aquele cara do evangelho, vaidade das vaidades, e isso só me dá mais raiva de mim mesmo.

lunedì, febbraio 11, 2008

Categorias

Tem a matinal, a vespertina e a noturna.
A vespertina não é nenhum grande problema; quase sempre é possível dar uma volta, tomar um café, comer alguma coisa, andar por aí, e abranda-se.
A matinal seria um horror, quando vem, pega pesado mesmo, mas geralmente, nesses casos, a gente simplesmente nem acorda e deixa pra vespertina vir suave.
As noturnas, como a gente acostuma, ficam parecendo até suaves. Mas a crueldade é a freqüência. É quase toda noite; é inevitável. É saber que o travesseiro já pegou esse gosto e esse cheiro, e não há nada que se possa fazer.
Boa noite, hoje vai ser uma dessas.

venerdì, gennaio 18, 2008

Mistério?

Toda dúvida é apenas medo. O futuro é claro e cristalino, e retumba diretamente nos nossos ouvidos dizendo a que veio. Tudo que fazemos, todas as ações, desde o começo, conhecemos as conseqüências.
Falta-nos é a coragem para assumir nossos erros antes de errá-los.