domenica, settembre 04, 2005

Enquanto Adão e Eva estavam ingênuos no paraíso, a verdade é que eles não curtiam muito a idéia. A balada hippie de comunhão com a natureza não agradava nem um pouco o primeiro homem que se sentia entediado, e a nudez permanente não permitia à garota gastar sua ansiedade em roupas. Sendo que o paraíso não se dava no japão segundo a maioria dos teólogos, podemos concluir que comida crua todos os dias também devia parecer um bocado irritante, e obedecer a Deus em alegria a cada segundo dava a toda a coisa um aspecto muito cachorrinho. É por isso que, muito antes da serpente, os dois já tinham muito bem colocado na cabeça que, assim que desse, desobedeceriam o Sujeito de maneira ou de outra. E desse momento, se sentiriam gente, poderiam ser felizes, conhecer o mundo e parar de sofrer. Só Deus sabe o quanto eles esperaram, até porque ninguém mais viu tudo isso acontecendo. Adão pensou em pecar, mas não conhecia ainda os pecados capitais e se viu de mãos atadas; Eva já tinha achado, fuçando nas litotecas tábuas com uma série de mandamentos, mas a maioria deles ainda nem podia ser desobedecido, na ausência de um próximo que não Adão. Por isso que, quando a serpente ofereceu o fruto do conhecimento do bem e do mal, eles aceitaram na hora. Quer dizer, Adão era tonto como todo homem tem de ser, mas não a esse ponto de achar que o Cara não ia se importar. Estavam ambos muito prontos para as conseqüências, foram lá, comeram. Expulsão, conforme estava avisado, prescrito e planejado. Por um tempinho, a idéia foi basicamente de "finalmente podemos ser felizes". Tinham esperado uma vida idílica inteira por um pouco de ação. Eva adorou imaginar que um dia haveriam shopping centers, o maridão ensinando aos filhos a importância de um dia fazer carros e filmes de guerra. Daí, a primeira vez que sentiram fome, não um avisinho do estômago dizendo que tá na hora, mas fome, e verdade, de alguns dias se roendo em dor, se tocaram do pepino que tinham arranjado. Inventaram, etão, uma idéia idiota: "como éramos felizes antes de tudo isso."

O grande problema da gente hoje em dia talvez seja que pensaram isso ao invés de "Fiz cagada, mas faria tudo de novo."
Ajudava mais.

venerdì, settembre 02, 2005

Lipidose Hepática só dá em gatos

Diz um filme do 007 que o amanhã nunca morre. Meia-verdade, como tantas outras; o amanhã é natimorto, e só interessa a filósofos tristes. O hoje é, por conseqüência, imortal, sempre vivendo do amanhã que morre todo dia à meia noite. Mas isso já é pieguice, uma vez que mesmo o dia sendo eterno, as coisas nunca permanecem.

Uma música do Blondie chamada 11:59 fala sobre esse um minuto antes do processo se realizar. E é Blondie, então é ótimo!

Ótimo é o que a gente diz das coisas quando se sente mais perto do que é ser feliz.
A interpretação mais simples e conhecida de Platão (não vou fingir que li esse sujeito na fonte, mas a idéia persiste) é a de que tudo que existe é mera tentativa de perseguir um ideal impossível e perfeito. Mas a idéia não precede o ser, e perseguir esse tipo de platonismo leva ao tédio e a um excesso de crises existênciais cretinas.
Eu tenho um nome para essa cretinice: Plano A. O maior problema é se libertar do Plano A, o resto é secundário.

Plan A, uma música dos Dandy Warhols, ironiza a ilusão de que todos pertencemos a um lugar inatingível e melhor. É Dandy Warhols, então é ótimo.

Porque, então, a gente quer tanto visitar o reino do sonhar, que é feito só de idéias, se elas são a origem de toda a infelicidade? Ilusões, projetos, conceitos e todas as coisas que não existem?
Todo o sonho tem em si o poder de existir, de maneiras que as vezes a gente nem compreende. E respeitar esse poder, da mesma forma que respeitamos as duras formas da realidade material, sem idolatria ou purismo, talvez seja amor.

O amor moderno é tralha.

Isso já é uma tradução que mistura uma música e um disco. Bowie e Blur, então é ótimo.

martedì, agosto 23, 2005

Quem sabe contar e quem não sabe

Os cientistas (estudiosos em geral inclusos aqui) em sua arrogância, acreditam ser superiores ao resto da humanidade. Eternamente em laboratórios e bibliotecas, só conhecendo ambientes externos para pesquisas de meio, eles são apaixonados pelo conhecimento. Procuram, na dita ciência, soluçõs, sobrevivência, mas também um prazer que não parecem ser capazes de extrair do convívio humano.
Sobre eles, os artistas dirão que são tolos e frios. Artistas, uma segunda categoria de pessoas, acredita piamente que os cientistas são uns completos imbecis, entregues a uma racionalidade positivista aonde não há alegria e prazer. Reúnem-se em ateliês, teatros, cinemas e cafés, e se deixam iluminar uns pelos outros, por uma quantidade humanamente aceitável de referências bibliográficas e por algumas drogas. Depois saem por aí a criar. O sonho masoquista de cada um é, certamente, não ser compreendido no próprio tempo e morrer faminto, amaldiçoando a mediocridade de todos que os cercam.
É para evitar essa rixa que existem os políticos - não os deputados engravatados que respondem inquéritos na tevê, mas os trabalhadores e estudantes que organizam movimentos de protesto, sindicatos, uniões e todo esse tipo de coisa. Os políticos foram alertados de que pode haver um mundo lindo de ciência e arte, onde todos são livres para fazer isso. E o primeiro passo para chegar nesse mundo é tratar todos os cientistas e artistas como pessoas alienadas, que não entendem nada e precisam ser demovidas de suas atividades fúteis e descompromissadas para poderem fortalecer o movimento.
No que todos esses três tipos superiores de gente concordam é que o resto, cera de noventa porcento de nós, é, basicamente, gado burro e amável. Qualquer um deles vai dizer que é apaixonado pela humanidade, que procura criar tecnologias para que todos vivam melhor, beleza para que se deliciem, e uma sociedade justa e livre, para que todos exerçam seu totall potencial como pessoas. Mas é só você colocar um de frente com um homem ou mulher verdadeiros, tirados das ruas, que o intelectual progressivo vai se enojar com os hábitos, idéias e vontades absurdas desse macaco. "Tirem essa critaura daqui, por favor" ele vai dizer, "estou ocupado salvando o mundo."
Bando de imbecis.

domenica, agosto 21, 2005

martedì, agosto 16, 2005

Imaginei um desenho. Eu não sei desenhar, então só planejava descrevê-lo pra outra pessoa fazer o trabalho sujo. Seria um desfiladeiro, meio caricato, um bocado Coiote e Papa-Léguas. Bem estreito e fundo. Em cima, teria uma placa de um lado, toda colorida, bonita e com luzes, meio torta e psicodélica, escrito "terra do nunca". Outro lado, uma placa dura e quadrada, quase de envenenamento nuclear, avisando "mundo real". Lá em baixo uma confusão de rabiscos parecendo alguém estatelado e uma flechinha apontando "Você está aqui." Mas ai eu tinha que decidir de que lado ficava cada placa. Veja bem, num mundo ocidental, você absorve toda a linguagem visual como começando na esquerda no topo, indo para a direita ao fundo; ainda mais numa imagem narrativa como essa. Então, ao colocar a placa da terra do nunca da esquerda, eu disse "tentou crescer e se fodeu." Que não é o que eu queria, nem um pouco. Já "tentou nunca crescer e se fudeu" me parece ainda mais idiota. Não queria sucitar nenhuma leitura tão simplista e direta das coisas. Reparei: mais que não saber fazer traços indo pra direção ou com a intensidade que eu quero, eu basicamente não sei desenhar; não conheço o código e as estratégias que me permitiriam exprimir da maneira adequada numa imagem estática em duas dimensões.
Aí eu conto isso por escrito, fingindo que a linguagem textual eu domino.

domenica, agosto 14, 2005

Toda criança já sonhou em cavar um buraco até a china. O que a maioria ignora é que o meu deu certo.

giovedì, agosto 11, 2005

Não te preocupes. Estamos salvos.

Deus (bem como as bruxas), insiste em existir por mais que eu não acredite nele. Se você me disser que a Arte está morta, respondo que nós dois, e também os outros, continuamos todos respirando. A Revolução é inevitável, igualmete à todas as suas predecessoras, e só nos cabe acelerar e guiar como um automóvel. E mais, sabe quem vai nos redmir a todos? O Amor, esse mesmo, tão banalizado nesses dias de melodrama. A Beleza salvará o mundo. Existem a sorte, o destino, o espírito, o despertar das conciências, a insurreição das classes, a verdade científica e todas as coisas perfeitas que alguém já quis que resolvessem tudo. Todas elas. Inclusive o pudim de leite condensado.

martedì, agosto 09, 2005

Linguagem universal.

Na fila do banco. Tinha um oriental de meia idade e origem não identificada (entre chinês, coreano ou outros), acompanhado de um adolescente mestiço uns quarenta centímetros mais alto. Atende o celular. Ai que ele começa a gritar com a pessoa do outro lado em termos de "Chow gong zeng assu gong chuchecha zing zong sossohosso"s e "Hu mwahaiii gogagogagoga"s e etcetera. A conversa é plenamente compreensível. É da empresa. Passaram o pepino para ele. Os incompetentes deviam ter resolvido isso, é um procedimento óbvio. Cabeças vão rolar. Mas eu resolvo. Sim, podemos fazer isso. E nessa hora, o sim é "Ok, how." Que não teria nada demais se não fosse seguido por um "Ok how how." E num ritmo alucinado, ele começa a repetir oks e hows em quantidades diferentes sem parar. Howhowhowhowhowhowhowhow. Ok Howhowhow. Howhow. Juro que ouvi muito disso, era um bocado esquisito. Ok Howhow final, Byebye. Desliga o telefone, guarda na cintura e murmura, irritado, enquanto ainda é assistido por toda a fila de curiosos no banco. "Saaaaaco!".

venerdì, agosto 05, 2005

Eu tenho uma metranca guardada na geladeira. Me faz sentir menos inseguro.

domenica, luglio 31, 2005

Caros dirigentes mundiais,

Após anos de pesquisa, nossa organização pode finalmente determinar com segurança que a principal causa de mortes na humanidade é a passagem do tempo. Mesmo as vítimas da violência da guerra e de nossos tão amados atentados terroristas não morrem instantânemamente, deixando claro que se o tempo for congelado, suas vidas podem ser salvas. O maior problema da saúde mundial, caros senhores, é o fluxo ordenado de enventos.

Por isso, viemos por meio dessa, oferecer nosso projeto para congelar definitiamente o tempo, de maneira a garantir a humanidade uma existência saudável e prolongada. Embora estejamos empenhados nessa causa por puro interesse humantário, pedimos vosso apoio para obter os recursos tecnológicos para realizar esse dispendioso projeto. Nossos engenheiros projetaram um dispositivo capaz de transformar toda a massa da lua em energia, o que pelas fórmulas comprovadas pelos principais físicos do século XX garantiria uma geração de força inacreditável, capaz de alimentar a segunda parte do plano: um campo de força que paralisaria a rotação e a translação da terra.

Sem as fases da lua, a variação da lumnosidade do dia e as estações do ano, todos os determinantes de tempo que conhecemos terão sido eliminados, e por princípio filosófico, o próprio tempo, como uma dimensão alheia a vontade humana, deixará de existir. É preciso matar o tempo, antes que ele nos mate, e, senhores, nós temos como fazê-lo. Como congelar todos os relógios e criar um paraíso de eternidade.
Por favor, mandem um cheque.

Atenciosamente

Toda a equipe da Agencia F.O. de tecnologia insensata.