domenica, maggio 22, 2005

O mundo é mais parecido com "Alice através do espelho" do que ele gosta de acrediar.

giovedì, maggio 19, 2005

A fuga do viandante

Era conhecido na cidade inteira por andar cercando-se das figuras mais estranhas e diversas dos lugares. Pessoas cheias de alegria sombria, ou de radiante dor. Amava e era amado por cada um deles. O viandante fazia tudo caminhando, e caminhava todos os dias. Tinha um teto, algumas roupas, em geral bonitas, um bar que quase era sua casa, e muitos amigos. E isso parecia tudo que ele precisava. Bradava, com orgulho e coragem, que tinha tudo que precisava. Quem já passou fome e sede, e quem já passou solidão, como ele conheceu os três, sabe que se escolhe por último a solidão. O movimento dessas ruas parecia ser o sangue que corre em suas veias; ninguém podia imaginar tal criatura morando fora daqui. Só que calhou um dia de acordar com um formigamento. Esse sangue lhe ardia, parecia contaminado. A fome e a sede pareceram grandes demais. Juntou suas roupas, saiu de baixo do teto. Viandou na luz do dia, que nunca foi sua amiga. Mesmo com todo o fluxo, e todo o calor do sol, e com seu tamanho grande e desajeitado, ninguém notou que ele ia embora. Não que ninguém tenha visto, mas tal informação era tão incoerente que as pessoas simplesmente não registravam corretamente: o viandante, uma das forças da natureza artificial desse lugar, foi embora. Quem sabe se um dia volta?

DÉJEUNER DU MATIN
Jacques Prévert

Il a mis le café Ele pôs o café
dans la tasse na xícara

Il a mis le lait Ele pôs o leite
dans la tasse de café na xícara de café
Il a mis le sucre Ele pôs o açúcar
dans le café au lait no café com leite
Avec la petite cuiller Com a colherinha,
il a tourné Ele mexeu.
Il a bu le café au lait Ele bebeu o café com leite.
et il a reposé la tasse e pousou a xícara na mesa.
sans me parler sem falar comigo.
Il a allumé Ele acendeu
une cigarette um cigarro
Il a fait des ronds E fez bolinhas
avec la fumée com a fumaça no ar.
Il a mis les cendres Ele bateu as cinzas
dans le cendrier no cinzeiro
sans me parler sem falar comigo
sans me regarder sem me olhar
Il s’est lévé Ele se levantou
Il a mis e colocou
son chapeau sur la tête seu chapéu na cabeça
Il a mis son manteau de pluie ele vestiu o seu casaco
parce qu’il pleuvait porque chovia
et il est parti e ele partiu
sous la pluie debaixo de chuva
sans une parole sem falar comigo
sans me regarder sem me olhar
et moi j’ai pris e eu coloquei
ma tête dans ma main minha cabeça entre as mãos
e j’ai pleuré. e eu chorei.


Obs: A coluna da direita é como me lembro da tradução que eu gostava mais desse poema; ela é bem literal na maior parte do tempo, mas as vezes fica esquisita. Não tenho a menor certeza de que seja assim, mas eu gosto. No site onde eu achei o original, existe outra tradução, que eu não gostei muito, achei que perde as pausas do poema.

martedì, maggio 17, 2005

Em caso de dúvidas, utilize nosso teste de urina.

Não são impressionantes as coisas que a gente descobre?
Eu descobri que passei um mês ou dois deprimido, logo agora que passou (bom, pasou há umas duas semanas já, vai). Poxa, ainda bem que eu não consegui completar o serviço que eu estava fazendo de jogar a minha vida fora, se não eu estaria perdido. Existem esses milhares de pessoas depressivas por aí que pelo menos podem se contentar em saber que são assim, se tratar e ter a plena consciência de que aquilo que elas estão sentindo é muito mais uma coisa de hormônios, neurotransmissores e azar na hora do parto do que de fato uma vida de bosta. Quer dizer, eles deviam ter consciência disso, não sei. Alguém paranóico pára de desconfiar dos outros pensando "Não, isso é só a minha nóia"? Mas veja só, eu que não sou um ser preparado para isso peguei todas aquelas dores da vida sem sentido nenhum e comecei a ter para mim. Achei que deviam estar motivadíssimas, porque eu nunca tive dessas caraminholas na cabeça. Se fosse que nem câncer de mama, que tem auto-exame, o mundo seria bem melhor, juro.
"Durante o banho, ou em sua intimidade, sente calmamente e reflita sobre sua vida e tudo que o incomoda. Passe delicadamente as mãos pela cabeça, enquanto mantém o corpo todo relaxado; procure sentir caroços e rachaduras que indiquem que o mundo inteiro está martelando por aí sem te deixar pensar. Caso encontre alguma coisa, compre imediatamente uma barra de chocolate ou procure seu psiquiatra."

lunedì, maggio 16, 2005

E se a vida for mais que nem uma comédia romântica?

De repente perseguir as pessoas que nem um alucinado traz futuro. E trilhas sonoras óbvias e ruins, que escancaram de um jeito meio idiota os nossos sentimentos, contem no fim de tudo uma verdade. Uma verdade engraçada e bonitinha na qual todo mundo queria viver; um mundo assim meio qualquer coisa com a Julia Roberts ou a Jennifer Aniston. Nesse cenário absurdo, o roquenrou, a revolta e todos os vanguardismos ficam sendo, por um instante, a fantasia, o escape de perfeição de porcelana. E os mitos mais bobos da nossa modernidade, realismo. Só por um instante. Que dará a todo o resto uma porção imensa de significado.

giovedì, maggio 12, 2005

Sobre o dia.

Hoje eu fiz nada o dia todo. Aí eu saí no fim da tarde pra ir numa reunião, mas fiquei preso no trânsito e voltei. Devia ser proíbido a gente ficar preso no trânsito nesse estado em que eu estou.

(Coluna boba e típica bem de blog ali do lado. Eu quis.)

mercoledì, maggio 11, 2005

Plano de carreira

Eu escolhi essa minha vida audiovisuenta, entre outras coisas, pelas vantagens oferecidas sobre um trabalho comum: informalidade do ambiente profissional, multiplicidade das tarefas, cooperação de equipes, rotatividade dos locais de serviço, contao humano intenso.
Como existem outras atividades mais lucrativas no mercado que oferecem as mesmas comodidades para profissionais destacados, decidi: vou virar seqüestrador.

lunedì, maggio 09, 2005

CNTP

O jeito que eu encaro as coisas é exatamente como o clima em São Paulo: ele simplesmente não tem a menor obrigação de seguir uma sequencia lógica, linear e previsível ou respeitar a época do ano. É quente ou frio, com vento ou ar parado. E hoje estamos com deliciosos 20° centígrados dentro da minha cabeça, não importam todas as coisas que ainda podem dar errado.

sabato, maggio 07, 2005

Homenagem Freakout ao dia das mães

(ou melhor, à tua velha.)



(Tá porco e feito em cinco minutos mesmo. Aqui é um blog, não um deviant.art.)

mercoledì, maggio 04, 2005

Epitáfio

Escrevi convidado (por Lima) a publicar um texto nesse blog que infelizmente agora fecha as portas. Bom, olhem lá, leiam as contribuições de outras pessoas, e tenham opiniões.

Eu as vezes acho que estou me repetindo, as vezes que é só o meu estilo a se definir. Mas no fundo é tudo a mesma coisa.

(obs: enquanto eu fazia esse post, acabei sem querer achando essa maravilha aqui.)

domenica, maggio 01, 2005

O que você quer ser quando crescer?

Eu quero usar tênis. E poder ter um corte cabelo divertido, fazer piada e sair de fim de semana a noite sem ser para ir num lugar "sossegado". O mais importante é toda noite poder pensar no que eu vou fazer amanhã, sem que isso seja uma coisa óbvia e pronta. Sem que envolva bater cartão em algum lugar. A segunda coisa mais importante é que tenha mais gente fazendo isso comigo. E hoje eu trabalhei no cinema.
Falando desse jeito brega e prepotente mesmo, chamando as coisas de cinema, porque no fim, o resto também é - já que cinema é movimento, e um montão de coisas legais se mexem. Então, seja isso um dia televisão, um dia rádio, um dia, quem sabe (após os traumas) teatro... é um lugar. Um lugar onde eu posso, em determinado momento, ser gente grande, sem que isso signifique ser infeliz, entediado, conformado ou monótono. Sem que isso me obrigue a fazer o que eu não gosto a maior parte do tempo e não saiba mais perder a noção e me divertir.
As pessoas lá são todas incrivelmente novas, até o momento em que você descobre a idade delas. Nenhum Peter Pan, não. Mas é possível sim ter trinta e poucos anos e ser realmente alguém da balada - independente e da balada. Independente, competente, com crianças geniais, da balada, e feliz.
E felicidade é brega, mas de importância primária nessa vida.